O que muda na ISO 9001:2026?

O que muda na ISO 9001:2026?

ISO 9001:2026 ISO - entenda as principais mudanças da nova versão e saiba o que esperar das novas exigências da norma. Leia agora!

A ISO 9001:2026 está batendo na porta, com sua publicação esperada para setembro de 2026. Com isso, muitos burburinhos surgem, assim como a curiosidade e até mesmo certa ansiedade sobre novos requisitos.

Agora, com a publicação do FDIS 9001, já sabemos o que irá mudar e o que precisamos olhar na nova norma. Com ele, não mais falamos sobre suposições ou especulação, temos um rascunho final da norma e de tudo o que virá nela.

Neste artigo, vamos entender as principais mudanças e como encará-las. Vale adiantar que a norma recebeu atualizações importantes e que têm grande potencial para aumentar a maturidade dos Sistemas de Gestão da Qualidade. Porém, a versão 2026 está longe de ser uma revolução total – tal qual foi, guardadas as devidas proporções, a ISO 9001:2015.

Aqui, faremos uma espécie de overview das mudanças, mas se você quiser se aprofundar um pouco, vale a pena assistir ao webinar que originou este artigo. Ele está disponível gratuitamente no nosso Youtube, e lá o Neifer França e a Ana Carneiro esmiuçam melhor cada mudança. Então, clique abaixo para assistir:

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Cultura da qualidade e comportamento ético

Uma adição importante é a inclusão formal dos conceitos de cultura da qualidade e de comportamento ético na norma. Isso faz destes termos aspectos auditáveis, trazendo mais peso e importância para os temas.

Agora, a Alta Direção passa a ter formal e explicitamente o compromisso de promover uma cultura da qualidade e um comportamento ético. Com isso, o foco da norma não é meramente burocrático, ou seja, a ideia não é simplesmente criar uma política, código de ética ou documento. 

Agora, o foco da ISO 9001:2026 é ainda maior em verificar como as pessoas realmente se comportam e tomam decisões no dia a dia. Como isso afeta a conformidade e a satisfação do cliente. Isso facilita, por exemplo, que o auditor observe se aquilo que a organização declara como valor realmente corresponde ao comportamento praticado. 

Portanto, com a nova norma, estará em jogo como funcionários tratam erros, não conformidades, reclamações, metas, produtos defeituosos e situações em que precisam, por exemplo, escolher entre qualidade e desempenho. Assim, a cultura, agora, precisará ser apresentada como algo perceptível por meio de valores, comportamentos, atitudes e decisões.

 

Separação mais clara entre riscos e oportunidades

A gestão de riscos, formalmente incluída na versão 2015, recebeu uma atualização importante. A ISO 9001:2026 diferencia claramente o tratamento de riscos e oportunidades. No texto, isso significa que o requisito passa a separar os temas, com destaque para 6.1.2 — riscos e 6.1.3 — oportunidades.

Isso não é novidade e já estava implícito na versão 2015. Porém, agora, temos o texto formal demonstrando que o risco está associado a possíveis efeitos indesejados; enquanto a oportunidade, a efeitos positivos. Tudo isso relacionado à capacidade da organização e para a satisfação do cliente. Agora, portanto, riscos e oportunidades precisam ser gerenciados “separadamente”.

Com isso, surge também a ideia de Opportunity-Based Thinking, ou pensamento baseado em oportunidades. Algo similar ao que já foi estabelecido anteriormente com o pensamento baseado em riscos. A intenção é, portanto, estimular as organizações a não apenas evitar problemas, mas transformar reclamações, erros e não conformidades em oportunidades de melhoria.

 

Reforço da gestão de mudanças — requisito 6.3 

Outro reforço importante está no requisito relacionado ao planejamento de mudanças, também acrescentado em 2015. Agora, ele está muito mais estruturado e organizado, assumindo uma lógica próxima de um PDCA aplicado à mudança. Algo muito bem-vindo, fato que muitos profissionais ainda carregavam dúvidas sobre esse aspecto.

Agora, com a ISO 9001:2026, a organização deverá planejar ainda melhor quaisquer mudanças que possam afetar seu SGQ, considerando recursos, impactos e resultados pretendidos. Para isso, será preciso planejar, executar, monitorar e padronizar as alterações (PDCA). 

Imaginemos, por exemplo, a adoção da IA (inteligência artificial) nos processos. Segundo a lógica da gestão de mudanças e do PDCA, não basta implementar a ferramenta X, Y ou Z. Precisamos, pois, avaliar como ela impactará o sistema e a conformidade dos produtos ou serviços e monitorar possíveis riscos e oportunidades.

Esta mudança, portanto, também serve muito mais para esclarecer e formalizar algo que já estava implícito na versão anterior (2015).

 

Revisão e ampliação do Anexo A 

A revisão, talvez, mais significativa da revisão está relacionada ao Anexo A da norma. Esse anexo serve apenas para esclarecer e exemplificar os requisitos da ISO 9001. Ele ajuda a interpretar melhor o que a norma espera, trazendo explicações e exemplos práticos.

Agora, na ISO 9001:2026, este anexo foi significativamente desenvolvido, melhor elaborado. Assim, ele trará ainda mais explicações e exemplos sobre os requisitos, algo que deve tornar a norma mais clara e fácil de implementar.

Durante o processo de revisão, houve uma extensa discussão sobre se isso não deveria ser melhor explorado em outra norma: a ISO 9002 Diretrizes para a aplicação da ISO 9001:2015. Entretanto, acreditamos que isso não ocorreu devido à baixa popularidade da norma (9002).

De qualquer forma, o Anexo A não cria ou altera requisitos, ele apenas ajuda a, digamos, aproximar a ISO 9001 de uma orientação prática. Similar à ISO 9002, ele pode funcionar como um guideline de implementação. Assim, também é algo bastante bem-vindo.

 

ISO 9001:2026 – quando a revolução dá lugar à maturidade

Ao analisar a nova ISO 9001:2026, podemos dizer que a mensagem central é bastante clara: a revisão não representa uma revolução – como ocorreu na versão 2015. Assim, estamos muito mais para uma evolução direcionada às melhorias implementadas na versão anterior.

De forma geral, houve poucas alterações textuais nos requisitos, mas com mudanças conceituais importantes. Mudanças essas que aumentam significativamente a maturidade da norma e, por consequência, a maturidade esperada dos Sistemas de Gestão da Qualidade futuramente certificados na ISO 9001:2026.

Assim, acreditamos que esse seja justamente o grande diferencial da ISO 9001:2026. Mais do que adicionar requisitos, ela busca elevar a qualidade daquilo que já fazemos nas organizações. A preocupação deixa de estar apenas em “ter um sistema funcionando” e passa a envolver a forma como tomamos decisões, como tratamos riscos e oportunidades e como planejamos mudanças.

Nesse sentido, temas como cultura da qualidade, ética, pensamento baseado em oportunidades e gestão de mudanças ganham ainda mais relevância. Portanto, mais do que nunca, apenas demonstrar que temos processos documentados não basta, precisamos demonstrar que nossos SGQs realmente contribuem para alcançar os resultados pretendidos e melhorar o desempenho.

Além disso, cada vez mais, a ISO 9001 (com o advento da versão 2026) afasta o velho pensamento da “burocracia rasa e vazia”. Ela busca, exige e incentiva SGQs mais maduros, coerentes e conectados à realidade das organizações. Portanto, se a versão 2015 marcou uma grande transformação na forma de pensar a gestão da qualidade, a versão 2026 parece dar um passo adiante: menos revolução, e mais maturidade!

Foto de QMS CERTIFICATION

QMS CERTIFICATION

A QMS Certification é um organismo de certificação que teve origem na Austrália, atualmente com a matriz nos Estados Unidos e forte atuação global com presença em mais de 30 países.

O que muda na ISO 9001:2026?

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