PDCA e normas ISO estão intimamente ligadas, mas isso ainda gera muitos questionamentos por parte de profissionais de todo mundo. Algo que acontece, principalmente, porque essa relação não está presente em todas as normas. Aí fica a dúvida: quais normas seguem o PDCA e quais não?
Indo um pouco além, entender essa relação pode nos ajudar a implementar sistemas melhores, manter a conformidade e até mesmo encontrar melhorias. Ou seja, saber a relação entre PDCA e normas ISO vai muito além de mera curiosidade, é uma competência importante para nós que trabalhamos na área.
Indo ainda mais além, a falta desta competência pode trazer sérios prejuízos ao sistema e, é claro, à sua empresa. Sem entendê-la, acabamos perdendo visão sistêmica, criamos burocracia inútil e podemos, até mesmo, transformar os sistemas e as auditorias em uma caça às bruxas. Isso tudo torna mais difícil “vender” a norma para a diretoria, fazendo com que a Qualidade, o Meio Ambiente, a segurança do trabalho – e outros fatores – percam força dentro da empresa.
Por isso, hoje, vamos falar um pouco sobre a relação PDCA e normas ISO. Assim, você conseguirá trabalhar com mais assertividade, entendendo como funciona um sistema de gestão verdadeiro. Isso nos faz trabalhar não só com os requisitos, mas também para alcançar cultura e bons resultados! Dito isto, vamos ao conteúdo de hoje!
Relembrando: o que é PDCA?
Antes de falarmos efetivamente sobre a relação PDCA e normas ISO, vale relembrar: o PDCA é uma metodologia de gestão focada em organizar processos, projetos e ações em torno de um ciclo de melhoria contínua. De forma geral, ela se baseia em 4 etapas, sendo elas:
- Plan (Planejar): estabelecer objetivos e criamos planos de ação para alcançá-los;
- Do (Executar): colocar os planejamentos em prática;
- Check (Verificar): acompanhar os resultados das ações;
- Act (Agir): Corrigir possíveis problemas e promover melhorias.
Entender isso já é importante, pois nos mostra que o PDCA é uma metodologia completa, feita para sistemas e ações contínuas. Assim, enquanto essa lógica pode aparecer de forma muito clara na estrutura de algumas normas, pode ser “dispensável” em outras. Vamos aprofundar um pouco melhor isso!
PDCA e normas ISO estruturadas em torno dele
Como vimos, o PDCA é uma ferramenta cíclica, assim como é fácil de treinar, relativamente fácil de aplicar e universal (se encaixa em qualquer contexto). Isso faz dele uma metodologia perfeita para implementar, manter e melhorar Sistemas de Gestão.
Por estes motivos, a ISO (International Organization for Standardization ) fez dele o carro chefe das normas deste tipo, ou seja, das normas voltadas à implementação de sistemas de gestão. Ela se aplica a todos eles, principalmente os já revisados segundo a Harmonized Structure (antigo Anexo SL).
Isso, em outras palavras, significa que os sistemas de gestão ISO organizam seus requisitos dentro da estrutura do PDCA. Eles posicionam cada tópico normativo dentro das etapas P, D, C e A. Assim, algumas normas têm relação direta com a metodologia, como por exemplo:
- ISO 9001 – Sistemas de Gestão da Qualidade (SGQ);
- ISO 14001 – Sistemas de Gestão Ambiental (SGA);
- ISO 37001 – Sistemas de Gestão Antissuborno (SGAS);
- ISO 45001 – Sistemas de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional (SGSSO);
- Entre diversos outros.
Assim, resumidamente, essas normas contarão sempre com etapas de planejamento (P), implementação (D), monitoramento (C) e melhoria (A). Por isso a relação PDCA e normas ISO é tão importante e tão estudada em todo o mundo.
Normas ISO que NÃO utilizam o PDCA
Existem também algumas normas que não são estruturadas em torno do PDCA. Isso acontece principalmente porque elas não estão diretamente ligadas a um sistema contínuo, cíclico.
Por exemplo, imagine a ISO 8601. Ela nos ajuda a estabelecer e padronizar formatos de data e hora. Assim, ela apenas apresenta modelos que podemos usar para garantir que determinadas informações estejam estandardizadas. Aqui, o PDCA não se encaixa.
Outro bom exemplo são normas criadas apenas para apresentar requisitos técnicos. Elas funcionam mais ou menos como uma instrução de trabalho, apresentando técnicas ou parâmetros a serem seguidos. Imagine, por exemplo, a ISO 3046-1, ela apresenta parâmetros para medirmos o desempenho de “Reciprocating internal combustion engines” (motores de combustão interna alternativos – tradução livre).
Em alguns casos, normas como estas podem até fazer parte de processos e procedimentos de sistemas de gestão, servindo para monitoramento, por exemplo. Assim, mesmo que elas façam parte do sistema, elas em si mesmas não são um sistema cíclico, contínuo. Entender isso é interessante, inclusive, pois nos ajuda a posicionar melhor PDCA e normas ISO, algo que melhora a implementação, melhoria e manutenção dos processos.
PDCA e normas ISO: “Moral da História”
No geral, podemos dizer que é um bom princípio não generalizar as coisas. Ou seja, nem toda norma ISO tem o PDCA imbuído, assim como – só para ressaltar – o PDCA não é uma metodologia exclusiva das normas ISO.
A própria ISO, inclusive, diferencia Management System Standards (normas de sistema de gestão), normas setoriais de sistemas de gestão e normas relacionadas/guia de implementação. Assim, existirão normas de requisitos, especificações técnicas, declarações, sistemas de gestão etc.
Por isso, ao nos depararmos com uma norma, é importante entender qual é a finalidade dela e o que ela pretende estabelecer. Nas normas de sistemas de gestão, o PDCA normalmente está presente como uma lógica de funcionamento e melhoria contínua. Já em normas técnicas, especificações e outros documentos normativos, essa relação pode simplesmente não existir ou acontecer de forma indireta.
No fim das contas, portanto, o PDCA não está na ISO apenas porque é uma “norma ISO”. Ele está relacionado à forma como determinados sistemas de gestão são planejados, executados, verificados e continuamente aprimorados.
Entender essa diferença é importante para o profissional da qualidade e de sistemas de Gestão, principalmente porque evita uma interpretação mecânica das normas. Mais do que decorar requisitos e tentar encaixá-los no PDCA à força, precisamos compreender a finalidade da norma, sua estrutura e como ela pretende gerar valor para nossas organizações. Isso é o que verdadeiramente diferencia sistemas verdadeiros e que dão resultado de mera burocracia documental.





